quarta-feira, 7 de março de 2012

Será desespero de quarentona ou quarentena?

Então, o e-mail chegou e dessa vez no velho e bom estilo de ser do seu amado. Estava feliz. Apesar de não acreditar em crendices, já tinha até colocado o dsanto Antonio de costas, na quina do santuário, de castigo.


Santo Antonio, coitado, ficou de castigo!
- Meu santo Antonio, vejo que está na hora de você descansar do castigo. Mas, olha, estou de olho, qualquer vacilo, volta para o seu cantinho.

Disse empunhando o dedo para o Santo. Pode?

Olha que acinte e tamanha insolência! Ali estava ela brigando com o santo e ameaçando-o. Arabella tinha perdido a noção. A noção e o senso de razoabilidade. Nem quando era adolescente teria cometido tal infâmia com o santo. Nem no auge do mais longo desespero amoroso tinha ousado colocar o santo de castigo.

- Meu Deus, será que é desespero de quarentona. Ou de quarentena? Pensava.

Que nada, era somente um momento de descontração (para ela, claro, porque para o santo, não tinha a menor graça). A verdade é que Arabella esperara ansiosamente pelo e-mail do amado. Desde que se encontraram a comunicação ficar bem rara e ela começara a elaborar mil e uma hipóteses em sua mente.

Quando vira o nome dele no seu e-mail tivera (até) um certo medo de abri-lo. Temia que a mensagem trouxesse notícias do tipo: my Love, things change and now we are quit!

Claro que ela sabia que ele tinha uma vida estruturada em seu país, mas, isso nunca impedira de se amarem a distancia. Até porque era super fácil manter um romance a milhas e milhas de distancia. Ela mesma já fizera isso inúmeras vezes durante o relacionamento dos dois.

Mas, assim continuara solteira, tinha a ilusão de que o mesmo ocorresse com ele...

- Ah, mas quer saber? (pensou) Eu não quero nem pensar, vou ler, reler e ler novamente esse e-mail que traz o velho e bom estilo do seu querido amor overseas. Ele estava novamente próximo, hot, divertido, apaixonado e presente.

Arabella reabriu o e-mail varias vezes durante o dia. Não respondeu de imediato. Não queria dar a impressão de que estava ansiosa pela mensagem. Apenas, deleitou-se com o carinho e o amorzinho gostoso que chegava pelas palavras daquele correio eletrônico e novamente deu uma voada.

Voltou alguns dias no passado, lembrou do beijo, do carinho, dos momentos juntos e levemente sorriu, com aquele frio na barriga que, apesar de tudo, o tempo não muda. Apesar de já ser uma mulher 4.4, com tração nas quatro rodas, a Bella agia como uma adolescente apaixonada. O tempo passa, mas o sentimento, a expectativa, o romantismo... Isso permanece.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Processo de desmame


Uma taça de um bom vinho rosso italiano.

Arabella acordou, olhou para o calendário, fez as contas e concluiu: há uma semana, estávamos juntos, felizes e nos amando. Não teve como evitar uma leve tristeza que tomou conta de sua alma. Tudo tinha sido lindo, maravilhoso e curtido. Mas, aquele silêncio...

Voltara do encontro há cinco dias e nenhuma notícia. Não queria pensar nisso, tentava abstrair, mas refletia e remoía: por que? Se tudo foi ótimo, maravilhoso, perfeito, por que o silêncio? Claro que inúmeras hipóteses se formavam na sua mente. Arabella podia ser tudo, menos burra.

Sabia que, no fundo, a perfeição não existia e durante o tempo em que ficaram juntos, ela percebeu (claro) que algumas atitudes não batiam com o discurso. O fato de não tirarem fotos juntos era mais do que um indício de que ele estava escondendo algo.

- Casado! Pensou. Ele era casado.

Mas, o que fazer, colocá-lo contra a parede? Perguntar à queima roupa?

Arabella optou por outro caminho. Preferiu se fazer de tonta e não perguntar. Afinal, estava ali para aproveitar os momentos a dois. Fazia quatro anos que não se viam. Não queria estragar e não era o caso de entrar em DRs. A ordem era aproveitar e perceber que ele tinha reservado aqueles quatro dias para estarem juntos inteiramente (ou quase).

Aliás, mulher tem dessas coisas, num é? Fica idealizando, imaginando, acreditando. Arabella acreditou que, assim como acontecia com ela – uma mulher divorciada, dona do nariz, solteira e cheia de amor para dar – ele também poderia estar na mesma situação. Ledo engano.

Mulheres são mulheres, homens são homens. Eles não compartilham de histórias semelhantes. Eles não pensam da mesma forma, não agem da mesma forma, não amam da mesma forma. PONTOCOMPONTOBR!

Os pensamentos remoíam a mente de Arabella que ardia em conjecturações. Ela borbulhava num misto de “tenho motivos para ser feliz porque vivi momentos mágicos” e “tenho motivos para ficar triste porque ele não deu notícias”. E agora?

Agora, pensou: Agora é hora de seguir em frente, abstrair e viver a fase atual. Ela chamou essa etapa de  de processo de desmame quando lentamente, os dias mágicos vão se distanciando de mente. A rotina vai tomando conta da vida e os momentos se transformam em apenas uma lembrança feliz de casal.

O melhor caminho, tentou convencer a si mesma, é agradecer pela oportunidade que tivemos de viver, experimentar e conhecer instantes de felicidade juntos. Isso é fato e não há como negar.

Mas, o ser humano é insaciável e a mente de Arabella não conseguia se deslocar, descolar, esquecer.

Talvez um dia, consiga colocar tudo numa de suas intermináveis caixinhas guardadas no fundo do coração e que só será aberta para reviver os bons momentos. Tudo isso, acompanhado, claro de uma taça de um bom vinho ‘rosso’.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

nada do que foi será...

Era algo meio assim: recordar é viver! Incrível como o ser humano acredita nisso e desesperadamente confia que uma situação, um momento, uma história, pode ser retomada assim, sem mais nem menos.

Não pode. O tempo é absoluto nesse processo. Ele define em que situação estaremos na hora de resgatar. E esperar que cada um de nós estejamos em condições ideais de clima e temperatura tal qual quando deixamos de viver nossa história juntos... Ah, isso é pedir um pouco demais.


Eu caminhei. Você caminhou... Pensava Arabella.

Ella sabia que muito tinha mudado, mas até esse detalhe era levado em conta para que, na cabeça della, as coisas ficassem e fossem melhores do que realmente o eram quando tudo foi interrompido.

- Vai dar certo. Animava-se a Bella.

Só animava-se. Porque no fundo ela sabia que era preciso muito mais para que tudo se acertasse. Talvez ela fosse mesmo um tipo de mulher que, apesar de cética para muita coisa, acreditasse na evolução do ser humano e no amadurecimento das idéias, conceitos, pré-conceitos de cada um.

Qual o quê!

-Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia... Repetia Arabella a si mesma relembrando-se de uma antiga música da década de 80, cantada por Lulu Santos e que ela adorava.

Nada podia ser mais providencial do que aquelas palavras.

- Mas, eu esperei tanto por esse momento. Por essa situação em que nós dois estaríamos livres, leves e soltos para podermos retomar nossas histórias... Justificava-se.

Nada! A história talvez fosse boa naquela época porque era num momento em que não era possível ser. Em situações em que o impedimento disso ou daquilo os forçava a tentar ser felizes.

Agora que tudo ficou mais fácil, perdeu o encanto.

Arabella lamentava o fato, mas sinceramente, não chegava a ficar triste. Era como se estivesse encarando uma frustração de não ter podido ter a chance agora que tinha realmente tinha uma chance.

Mas, era assim a realidade (e pronto!) e o momento era de procurar novos caminhos. Sabia que haveria dias em que se sentiria sozinha, solitária e desamparada, mas...

- Prefiro pagar esse preço. A solidão não me assusta e no mais, tenho muito que fazer.

Começou a se dedicar a atividades diferentes, diferenciadas e envolventes. Já não se lembrava dele e a recordação vinha apenas quando encontrava algum conhecido, retornava a algum lugar que já havia freqüentado com ele ou quando lia algum e-mail enviado por ele numa lista de discussão de algum grupo qualquer.

Notável essa capacidade do ser humano de desistir de histórias. Notável, mas providencial.

- Imagine viver a mesma história a vida toda em looping! Meu Deus, não! Isola!

Arabella bateu três vezes na madeira, olhou para o relógio e viu que era hora de sair para ir buscar os filhos na escola.

domingo, 13 de junho de 2010

O amor existe?

Naquele Dia dos Namorados - mais um sozinha, alone, by herself - Arabella se perguntava: o amor existe? Esse era o tipo de pergunta que não podia ser feita a si mesma sem uma bela garrafa de vinho ao seu lado. Foi até a sua super-mini adega, sacou uma meia garrafa de um belo Carmenère, abriu cuidadosamente a garrafa. Derramou o vinho pacientemente em sua taça especial para momentos únicos, esperou que as moléculas do vinho se soltassem e sentiu o bouquet da bebida com um prazer único.

Experimentou o vinho. - Está magnífico!, Pensou.

Arabella serviu meia taça e começou a saborear a bebida que era sempre sua predileta para momentos de reflexão - a sós ou a dois. Nesse caso específico (infelizmente): a sós.

Pois bem, voltou à pergunta inicial: o amor existe?

Não valiam as repostas básicas do tipo: o amor de mãe, o amor pelos pais, o amor pelo cachorro, papagaio, casa, cidade, origens etc. Não, nada disso. Era o amor entre duas pessoas.

Sabia que já tinha gostado imensamente de alguém. Lembrava de alguns poucos que tiveram o privilégio de ser o foco de seus sentimentos mais amorosos e ardorosos. Mas, sabia que apenas uma pessoa mexera tão profundamente com a sua capacidade de amar.

Sabia que aquela pessoa que conhecera ainda jovem, imatura e inexperiente, carregaria para sempre o troféu de seu 'grande amor'. Mas, teria realmente o amado? Temia que tudo não passasse de uma vbrincadeira do destino que encasquetou de fazê-la acreditar que o amor um dia existira.
Sendo assim, as perguntas sempre foram uma constante em seus pensamentos, quando o assunto era ele: seu eterno amor.

Como e por que não o esquecera? E, mais, por que nunca mais se encontraram? Por que tudo temrinou tão sem finalização. Por que a história deles desembarcou nas palavras da música que fala "da paixão mal resolvida"?

Arabella havia amado Alex e sabia que tinha sido correspondida, mas a história dos dois desfez-se cedo demais, sem palavras, sem explicações, sem futuro. Perderam o contato, perderam-se um do outro, se reencontraram muito tempo depois, com suas vidas já encaminhadas, nos caminhos do mundo moderno.

Descobriram-se novamente neste planeta, trocaram e-mails, falaram-se pelo telefone, juraram reencontrarem-se, mas.... Nunca aconteceu.

Nesse Dia dos Namorados do ano dez do ciclo 2000 - mais um em sua vida - Arabella dedicou o seu momento, o seu vinho, os seus pensamentos e a sua descrença no amor àquele que sempre fora o seu grande amor.
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segunda-feira, 7 de junho de 2010

Torpor incrívelmente pacífico

Nada pode ser mais rápido do que a velocidade da luz, portanto, não se avexe não que nada é para já. Arabella estava experimentando momentos de calmaria e paz em sua vida. Estava sozinha, claro. Mas, "so what?", perguntava a si mesma.

Podia experienciar - se é que existe essa palavra - momentos de lazer, quietude, reflexão e inércia. Sim, de repente podia se dar ao luxo de dormir cedo, de ler um bom livro, esquecer as notícias diárias e refletir sobre o fato de não precisar refletir sobre nada.

Sabia que era preciso vivenciar isso fortemente porque seu instinto devastador logo, logo a lembraria de sua essência e a tiraria desse torpor incrivelmente pacífico no qual se encontrava.

Não tinha compromisso com nada a não ser fazer as coisas de forma a ficar tudo bem feito e aproveitar enquanto o mundo não a sugava de volta para a correira e a insanidades que costumavam permear a sua vida - pelo menos assim o fora pelos últimos vinte anos, desde que começara a trabalhar, com algumas raríssimas exceções.

No amor... bem, até nesse particular estava calma e em latência. Havia passado por momentos difíceis nos últimos dois anos. Idas e vindas de uma casamento retomado e de um fim pacífico mas bastante intrigante para a relação que sempre manteve com seu ex.

Estava certa de que ainda não chegara seu momento de amar e que tudo agora era uma questão de tempo, ou não. Afinal, nada é garantia de nada e tudo pode durar para sempre ou não. Aliás, tudo pode ser nada e nada pode ser menos ainda.

Bom, não estava mesmo a fim de conjecturar ou traçar planos. Queria apenas curtir aquela fase que tinha momentos de baixa, claro. Tinha dias, como num domingo sozinha quando o celular sequer toca numa chamada de callcenter.

Num dia em que ella revisitava à lista das chamadas não atendidas, números discados e chamadas recebidas e ficava rememorando quando foi a última vez que ligara para ele ou eles ou aquele e como fora a reação de cada uma, o encontro e a conversa de cada momento.

- Chega! Gritara para si mesma afastando aqueles pensamentos que sempre a levavam a este ou aquele ser humano que ultimamente não merecia a sua deferencia.

Portanto, para brindar o momento 'eusinha comigo mesma', sem chamadas no celular, sem amigos ou amigas por perto, com seus filhos no tempo regulamentar destinado ao pai deles, Arabella decidiu ser feliz. Abriu meia garrafa de 'Casillero del diablo' e, como o diabo gosta, brindou a si mesma, no melhor estilo Arabella de ser.

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quinta-feira, 3 de junho de 2010

Que venha o novo.

Arabella estava mesmo descrente dessa coisa chamada relacionamento. Nada de histórias bonitas, amores que acontecem por acaso e pessoas gentis á sua volta. Estava numa fase absolutamente cética em relação a histórias. "Ouso dizer que o meu coração virou uma pedra", repetia Arabella para si mesma e para suas amigas, que vez ou outra riam de sua falta de fé.

-Falta de fé!!!! Repetia Arabella em voz alta.
- Como ousam dizer que eu não tenho fé. como? Remoía.

Arabella sabia que a vida é feita de fases e isso inclui os tempos de fartura, véspera de 'farta tudo'. Pensava também positivamente e 'as vacas magras' são prenúncio de bons momentos.
Mas, a verdade é que esse latência fazia Arabella pensar e com um certo distanciamento, ela conseguia enxergar com certa racionalidade o quanto seus últimos relacionamentos foram frágeis e sem sentido. Agora, já não faz diferença se ligam, procuram ou se interessam por ela.

Aquelas figuras do passado recente a desprezaram, deixaram-na no mais completo silêncio e solidão. Seu celular não tocava mais, mensagens de texto, nem pensar! então, por que agora iria esperar algo 'a mais', um plus?

Sabia que só apareciam quando era interesse deles. Só ligavam quando estava sozinhos, só a procuravam em momentos de mais completa apatia. E tem mais: queria carne nova, pensamentos novos, histórias novas, problemas novos (até).

Não aguentava mais a lamúria das mesmas historinhas que contavam. Não queria mais dividir nem compartilhar seus momentos com as mesmas caras. Queria novo cenário, visual diferente, pessoas outras.

Portanto, agora, estava certa de que seu coração não sentia mais nada por ninguém. O que não é bom, o que é muito bom. O vazio pode deprimir, mas a ausência significa também um espaço aberto a novas oportunidades. Um coração inteiro pronto para se entregar a novas paíxões, novos personagens, novas histórias, novos sentimentos.

Portanto, Arabella não era o tipo de mulher que temia a solidão. Ela até curtia os momentos 'alone', mas isso não significa que uma companhia de vez em quando, com ares novos e histórias diferentes não seria bem vinda.

- Que venha o novo! Gritou Arabella sozinha em seu bunker. Ninguém ouviu, claro. Estava enterrada no seu presídio paralelo, momentâneo e impessoal.

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segunda-feira, 24 de maio de 2010

Bunker - cap II: a opressão do lugar


Estava começando a identificar de onde vinha toda aquela impaciencia, irritação e mau humor generalizado. Era o bunker! Pensou Arabella em voz alta. Sabia que a opressão daquele lugar estava, aos poucos, minando sua sanidade e lentamente seu bom humor, seu estado de graça com a vida e sua leveza iam sendo consumidos por aquele espaço de poucos metros quadrados e de luminosidade restrita. Sem contar na ventilação que era quase nula.

O Bunker consumia Arabella aos poucos. O fato de não ter espaço para ela, para seus filhos ou para as suas coisas a tornava uma pessoa mais rispida com seu dia a dia, com todos que estavam á sua volta. Arabella queria imensamente se livrar daquela situação extremamente incomoda, mas infelizmente não vislumbrava qualquer solução imediata.

A vida estava boa em todos os aspectos, não fosse o maldito 'bunker' a estragar tudo. Seu relacionamento ia bem com os filhos até que entrava naquele lugar. Era uma onda escura (obscura) que se abatia sobre ela. Não havia espaço para nada.

Na última noite, seu filho foi fazer um capuccino.
- Aonde? Pensou e perguntou irritadamente.
- Vou fazer o capuccino na bancada da pia, disse o filho.
- Que bancada? Perguntou ela. Não havia bancada, mas um espaço estreito sem milimetros suficientes para que a operação fosse bem sucedida.

Bom, não é nem preciso dizer que não deu certo. Lá pelas tantas, ela ouviu um barulho e foi batata! O copo de capuccino havia entornado sobre a pífia bancada e se derramado todo no chão.

Arabella estourou. Fechou o tempo, gritou, mandou os dois filhos para a cama e encerrou o dia (eram já 21h30). Pronto, mais um dia encerrado sob esporro. Estava realmente cansada daquele lugar. Arabella merecia coisa melhor.

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