terça-feira, 10 de agosto de 2010

nada do que foi será...

Era algo meio assim: recordar é viver! Incrível como o ser humano acredita nisso e desesperadamente confia que uma situação, um momento, uma história, pode ser retomada assim, sem mais nem menos.

Não pode. O tempo é absoluto nesse processo. Ele define em que situação estaremos na hora de resgatar. E esperar que cada um de nós estejamos em condições ideais de clima e temperatura tal qual quando deixamos de viver nossa história juntos... Ah, isso é pedir um pouco demais.


Eu caminhei. Você caminhou... Pensava Arabella.

Ella sabia que muito tinha mudado, mas até esse detalhe era levado em conta para que, na cabeça della, as coisas ficassem e fossem melhores do que realmente o eram quando tudo foi interrompido.

- Vai dar certo. Animava-se a Bella.

Só animava-se. Porque no fundo ela sabia que era preciso muito mais para que tudo se acertasse. Talvez ela fosse mesmo um tipo de mulher que, apesar de cética para muita coisa, acreditasse na evolução do ser humano e no amadurecimento das idéias, conceitos, pré-conceitos de cada um.

Qual o quê!

-Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia... Repetia Arabella a si mesma relembrando-se de uma antiga música da década de 80, cantada por Lulu Santos e que ela adorava.

Nada podia ser mais providencial do que aquelas palavras.

- Mas, eu esperei tanto por esse momento. Por essa situação em que nós dois estaríamos livres, leves e soltos para podermos retomar nossas histórias... Justificava-se.

Nada! A história talvez fosse boa naquela época porque era num momento em que não era possível ser. Em situações em que o impedimento disso ou daquilo os forçava a tentar ser felizes.

Agora que tudo ficou mais fácil, perdeu o encanto.

Arabella lamentava o fato, mas sinceramente, não chegava a ficar triste. Era como se estivesse encarando uma frustração de não ter podido ter a chance agora que tinha realmente tinha uma chance.

Mas, era assim a realidade (e pronto!) e o momento era de procurar novos caminhos. Sabia que haveria dias em que se sentiria sozinha, solitária e desamparada, mas...

- Prefiro pagar esse preço. A solidão não me assusta e no mais, tenho muito que fazer.

Começou a se dedicar a atividades diferentes, diferenciadas e envolventes. Já não se lembrava dele e a recordação vinha apenas quando encontrava algum conhecido, retornava a algum lugar que já havia freqüentado com ele ou quando lia algum e-mail enviado por ele numa lista de discussão de algum grupo qualquer.

Notável essa capacidade do ser humano de desistir de histórias. Notável, mas providencial.

- Imagine viver a mesma história a vida toda em looping! Meu Deus, não! Isola!

Arabella bateu três vezes na madeira, olhou para o relógio e viu que era hora de sair para ir buscar os filhos na escola.

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